(A) Ouro em filão (ouro em veia, depósito primário de ouro)
Formado por magma subterrâneo e processos hidrotermais, o ouro está incrustado em fraturas e veios rochosos. Esse é, atualmente, o tipo mais comum de jazida de ouro explorada.
Tipo de veio de quartzo hidrotermal (o mais comum na China)
Características: Os grãos de ouro estão, em sua maioria, incrustados em veios de quartzo branco-leitoso, comumente associados à pirita, à galena e à esfalerita. O tamanho das partículas de ouro varia de grão grosso (ouro visível) a microgrãos finos.
Galena
Minério bruto de esfalerita
Pirita
Características: Veios estreitos com grandes extensões; em sua maioria, minas de pequeno a médio porte. Adequado para processos de flotação + cianetação/carbon-in-leach (CIL). Os equipamentos convencionais incluem moinhos de bolas úmidos e células de flotação.
Tipo de rocha alterada fraturada (tipo principal para depósitos de ouro em grande escala)
Características: O ouro ocorre em rochas de parede alteradas dentro de zonas de fraturas. Os minérios consistem principalmente em rochas graníticas fragmentadas, com o ouro distribuído na forma de disseminações microfinas — quase invisíveis a olho nu.
Características: Grandes corpos minerais, grande profundidade, grandes reservas, alto teor de sulfeto. A recuperação metalúrgica é estável, sendo adequada para mineração em grande escala a céu aberto ou subterrânea.
Tipo Carlin (depósito disseminado de ouro microfino)
Características: As partículas de ouro são extremamente finas (na maioria, <10 μm), encapsuladas em pirita e xistos carbonosos. O ouro é completamente invisível a olho nu — frequentemente chamado de “ouro invisível” ou “ouro mudo”.
Desafios: A matéria carbonosa adsorve facilmente os complexos de cianeto de ouro, o que resulta em baixa recuperação por cianetação convencional. Requer pré-tratamento (por exemplo, calcinamento) para remover o carbono antes da lixiviação. Não é passível de concentração por gravidade; é tratada principalmente por calcinamento + lixiviação com carbono.
Distribuição: Oeste da China (Guizhou, Shaanxi, Gansu, etc.).
Tipo vulcânico-hidrotermal
Características: Ocorre em sequências de rochas vulcânicas e subvulcânicas, comumente associado à prata, ao cobre, ao chumbo e ao zinco. O ouro e a prata costumam estar entrelaçados — trata-se de um depósito polimetálico de ouro derivado.
Etapas do processamento: Flotação preferencial para a recuperação de Cu, Pb e Ag, seguida de lixiviação com cianeto do ouro a partir dos rejeitos da flotação.
(B) Ouro aluvial (depósito secundário de ouro, ouro aluvial)
Formado pelo intemperismo de depósitos primários de ouro, seguido pelo transporte pela água e pela sedimentação por gravidade, processo no qual o ouro, por ser mais denso, se acumula nos leitos dos rios, nos terraços e nas areias das praias.
Ouro aluvial de leito de rio
Características: As partículas de ouro são, em sua maioria, ouro visível na forma de escamas, grãos ou grãos em forma de feijão, com alta pureza (finesse do ouro nativo > 900). Ocorrem nas areias fluviais e nas camadas de cascalho do leito.
Recursos de processamento: Baseia-se na concentração por gravidade – utilizando jigs, mesas vibratórias, concentradores centrífugos e moinhos de amalgamação, combinados com moinhos de bolas úmidos ou secos para a moagem. Processo simples, sem necessidade de flotação.
Ouro em terraços e em depósitos aluviais/deluviais
Características: Formados a partir de antigos leitos fluviais que hoje se encontram elevados como terra firme. Os minérios apresentam forte intemperismo e alto teor de argila, exigindo pré-lavagem e deslamagem antes da separação por gravidade.
(C) Depósitos de ouro (polimetálicos) derivados de outros minérios
O ouro não é o produto principal, mas é recuperado como subproduto de outros minérios:
Minérios de cobre e ouro: O ouro é associado aos concentrados de cobre durante a flotação e recuperado dos lodos anódicos na fundição.
Minérios de ouro contendo chumbo, zinco e prata: O ouro e a prata estão incorporados em minerais sulfurosos de chumbo e zinco; são recuperados após a flotação de concentrados polimetálicos.
Ouro associado à pirita: O ouro é recuperado do resíduo de torrefação (calcina) após a produção de ácido sulfúrico a partir da pirita.
(D) Minérios de ouro refratários especiais
Ouro refratário contendo arsênico: O ouro está encapsulado na arsenopirita (pirita arsenical). A moagem convencional não consegue liberá-lo; é necessário um pré-tratamento por oxidação sob pressão ou calcinamento antes da cianetação.
Ouro carbonáceo do tipo Carlin: A matéria carbonosa possui capacidade de pre-adsorção (adsorve o cianeto de ouro), o que resulta em uma recuperação muito baixa por cianetação direta.
Ouro microfino encapsulado: O ouro está totalmente encapsulado em minerais sulfurosos e não pode ser liberado por moagem comum; requer moagem ultrafina (por exemplo, moinho vertical com agitação + moinho de bolas) para quebrar a estrutura cristalina do mineral.
II. Principais propriedades físicas e químicas do ouro
1. Propriedades físicas (ouro nativo)
Densidade: 15,6–19,3 g/cm³, valor muito superior ao do quartzo (2,65) e da pirita (5,2) — esse é o princípio fundamental da separação por gravidade.
Dureza de Mohs: 2,5–3, muito macio; o ouro tende a se achatar, formando lascas, durante a moagem, mas não é fácil moê-lo em excesso.
Dutabilidade extrema: Pode ser laminado em folha de ouro; as partículas finas de ouro tendem a aderir às esferas de aço, aos revestimentos e às superfícies dos equipamentos, causando perdas de ouro.
Cor: O ouro puro é de cor amarelo-dourado brilhante; um maior teor de prata confere-lhe uma tonalidade amarela clara; um maior teor de cobre confere-lhe uma tonalidade amarelo-avermelhada.
Condutividade elétrica e térmica: Excelente. Não magnético (os separadores magnéticos podem remover sulfetos magnéticos, mas não conseguem atrair ouro nativo).
2. Propriedades químicas
Quimicamente muito estável à temperatura ambiente – não é atacado pelo oxigênio, pela água, por ácidos comuns nem por álcalis. Só se dissolve em água régia, em soluções alcalinas de cianeto e em soluções de tioureia.
Forma facilmente ligas com prata, cobre e platina; o ouro natural é, em sua maioria, uma liga de ouro e prata.
Facilmente adsorvido pelo carvão ativado e pelos xistos carbonosos — essa é a base dos processos de carvão na polpa (CIP) e carvão na lixiviação (CIL).
III. Classificação por dificuldade de processamento (classificação prática de minérios)
Minérios de ouro de fácil tratamento: Ouro visível, ouro disseminado em grãos grossos e ouro aluvial – a separação por gravidade + cianetação simples pode atingir taxas de recuperação >90%.
Minérios de ouro moderadamente processáveis: Ouro fino associado à pirita – flotação seguida de lixiviação com cianeto, taxas de recuperação de 80 a 90%.
Minérios de ouro refratários: Ouro microfino encapsulado, carbonoso e contendo arsênico – requer pré-tratamento; as taxas de recuperação convencionais são de apenas 40–60%.
IV. Métodos de moagem adequados para diferentes tipos de minério de ouro
Ouro aluvial e ouro de veios de grão grosso: Dê preferência a moinhos de bolas úmidos + concentradores por gravidade para evitar a perda de partículas finas de ouro por meio da poeira.
Minérios de ouro oxidados em regiões áridas (mineração a céu aberto): Podem ser utilizados moinhos de bolas a seco + classificação a ar + cianetação.
Minérios de ouro refratários microfinos: É necessária uma moagem primária em um moinho de bolas horizontal, seguida de uma moagem secundária ultrafina em um moinho vertical com agitação, para liberar totalmente o ouro encapsulado.